Cozinhas Comunitárias resgatam vidas e dignidade

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Bem mais do que oferecer refeição gratuita todos os dias à população carente, as seis Cozinhas Comunitárias da Prefeitura de Manaus também nutrem as expectativas de quem não vê somente um prato de comida, mas um alimento para a alma. São pessoas que, devido à vulnerabilidade social, recebem bolsas-auxílio, por meio do programa Passaporte de Inclusão Social, ampliado pelo prefeito de Manaus, Arthur Virgílio Neto.

Gerenciadas pela Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh), as Cozinhas Comunitárias contam com uma equipe multiprofissional que, além do cuidado com a alimentação balanceada, também promovem do resgate da cidadania, com emissão de documentos e programas de alfabetização, tornando seus usuários aptos a escrever uma nova história de vida com dignidade.

Morando na rua há oito anos, o ex-garimpeiro Carlos Roberto, de 61 anos, viu na mendicância a única alternativa para sobreviver. Mineiro, ele chegou a Manaus na época do garimpo, em busca de sonhos. Hoje, seus maiores bens são a refeição diária que recebe e a alfabetização, porque não sabia ler e nem escrever e aprendeu depois de fazer parte do Programa Municipal de Escolarização do Adulto e da Pessoa Idosa (Promeapi), oferecido nos espaços comunitários, em parceria com a Secretaria Municipal de Educação (Semed).

“Cheguei na Cozinha Comunitária da Colônia Oliveira Machado, na zona Sul, porque o dinheiro da esmola já não era suficiente para me alimentar. O almoço era a minha única refeição do dia, não tinha mais o que comer. Aqui somos tratados bem além do que uma pessoa com fome. Na cozinha comunitária, me senti em casa, tomo banho antes de almoçar, me alimento bem e ganhei uma bolsa. O dinheiro que recebo deu para alugar uma quitinete e sair das ruas”, comemora o ex-morador de rua.

 

Quem também viu no serviço oferecido pela prefeitura uma chance de recomeçar foi a dona de casa Nilza Silva, 46 anos, que foi encaminha para cumprir pena alternativa trabalhando na Cozinha Comunitária pela Vara de Execuções de Medidas e Penas Alternativas (Vemepa). Ela viu no trabalho a única forma de mudar de vida e o seu esforço foi reconhecido.

“O bom da cozinha é que não viemos aqui só para comer. Somos tratados de forma igual, independentemente dos erros que cometemos, porque mostramos que queremos mudar de vida e eu mudei”, comemorou.

Para a gerente da cozinha comunitária, Glória Barreto, o trabalho de cidadania vai além das refeições gratuitas. “Detectamos demandas sociais e encaminhamos para soluções. Desde certidão de nascimento, alfabetização, até uma bolsa para que eles possam trabalhar”, afirmou, acrescentando que nas cozinhas comunitárias também são oferecidos cursos profissionalizantes, como manipulação de alimentos e reciclagem.

Refeições

Ao todo, Manaus conta com seis Cozinhas Comunitárias, servindo, aproximadamente, 1.200 refeições por dia.  Os usuários do serviço passam por um processo de cadastramento e devem ser, obrigatoriamente, residentes nas comunidades onde estão instaladas as cozinhas, nos bairros Colônia Oliveira Machado, Panair, Vila da Felicidade, Colônia Antônio Aleixo, Santo Agostinho e Val Paraíso.

Passaporte

O Projeto Passaporte para Inclusão Social é administrado pela Semmasdh e organiza ações e serviços de proteção social de média e alta complexidade, direcionados ao atendimento de pessoas que se encontram em situação de rua. Todos os usuários do projeto são beneficiados com a Bolsa Auxílio Emergencial e são inseridos em cursos de capacitação para o trabalho e atividades de produção e renda, sem vínculo empregatício.

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