‘Mãos que Criam Arte’, multiplicam o amor e salvam vidas de mulheres com câncer

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Não se entregar à dor, física e psicológica, foi a escolha de Aurinete Alves, ao descobrir um câncer de mama aos 37 anos, quando, enfim, teve condições de dar início ao curso superior que há tantos anos sonhava. O baque inicial a fez perder o chão, repensar a vida e desejar a morte, mas a imersão em si mesma e a certeza de que essa doença não pode ser encarada como o fim a fez querer fazer mais por ela, por outras mulheres na mesma condição e por suas famílias. Nasceu daí o projeto Instituto Mãos que Criam Artes.

E nessa caminhada ela encontrou outras 35 mulheres que, assim como ela, não queriam que os tratamentos quimioterápico ou radiológico se tornassem o único foco de suas vidas. Juntas, elas decidiram que precisavam fazer alguma coisa voltada para arte, artesanato, dança ou qualquer outra atividade que lhes deixassem mais fortes, que lhes fizessem ter alegria, mesmo com dor, e que suas histórias de vida fossem fonte de motivação para outras pessoas, não apenas para as que estão doentes, mas também para aquelas com casos na família.

“Nossa ideia é ajudar na parte lúdica e emocional do tratamento. Muitas mulheres morrem não por causa do câncer em si, mas por causa do abandono, da preocupação e do preconceito dentro da própria família, que acha que a pessoa com câncer já vai morrer e a abandona. O Instituto chama essas mulheres e fazemos rodas de conversa, artesanato, se diverte, brinca, dança e se motiva a seguir lutando pela vida. E, a partir, daí promovemos o envolvimento das famílias e vamos acolhendo pessoas com ou sem a doença”, falou a presidente do Instituto, Aurinete Alves.

Com quatro anos de vida, o Instituto atende mulheres, homens, jovens, crianças, adolescentes e pessoas da terceira idade com atividades que vão, além de arte terapia ocupacional, a aulas de dança, jiu-jítsu, balé e muay thai. O Instituto mantém, ainda, o projeto “Comunidade Movimento”, que atende a mais de 200 pessoas, por dia, com aulas de zumba ao ar livre, ginástica e aeróbica, realizadas na rotatória do Conjunto João Paulo, zona Norte.

Agora, o Instituto Mãos que Criam busca a criação da sede própria, a Casa do Cidadão será construída no bairro Braga Mendes, zona Norte. Para conseguir recursos, a diretoria pede ajuda para a realização do “1º Bazar Folia”, que já conta com o apoio do Fundo Manaus Solidária (FMS) na mobilização e divulgação do evento, tanto entre as secretarias do município, quanto entre sua rede de parcerias.

 

Campanha

O 1º Bazar Folia será realizado no sábado, 23/2, de 16h às 21h, na rotatória do Conjunto João Paulo, e as doações de roupas, sapatos, bolsas, bijuterias e brinquedos (em boas condições de uso) para serem vendidos no bazar podem ser entregues até o dia 9, de 8h30 às 17h, em quatro pontos de coleta. Os pontos estão localizados na sede da Prefeitura de Manaus, no Parque Cidade da Criança, na Mini Vila do Santo Antônio e na Mini Vila do Coroado. Além do bazar, também terá como atrações bingo, aulas de zumba e outras atividades voltadas ao entretenimento.

Segundo a presidente do FMS, Elisabeth Valeiko Ribeiro, todas as ações sérias, comprometidas com a sociedade, com a comunidade e com a melhoria da qualidade de vida do outro merecem o incentivo e o envolvimento do Fundo. “Eu sempre digo que a solidariedade não está ligada somente à doação em dinheiro, ela pode se manifestar de várias formas e essa é uma delas, com a doação de roupas, calçados, bijuterias e objetos em geral que estão lá no fundo do baú, mas que podem fazer a diferença na vida de outras pessoas. O FMS existe para isso também, para incentivar essa mobilização social, em que todos podem ser protagonistas solidários”, afirmou.

Casa do Cidadão

O “1º Bazar Folia” vai auxiliar na estruturação da Casa do Cidadão, no Braga Mendes, zona Norte, que foi cedido pela Prefeitura de Manaus, por meio da Secretaria Municipal da Mulher, Assistência Social e Direitos Humanos (Semmasdh), e que vai abrigar o Instituto Mãos que Criam Artes.

Conforme o secretário da pasta, Elias Emanuel, é determinação do prefeito Arthur Virgílio Neto que os vários espaços da Semmasdh sejam otimizados para atender as populações mais vulneráveis. “O Instituto veio até nós, apresentou o trabalho que vem realizando e estamos em um adiantado processo de cessão da Casa do Cidadão do Braga Mendes, para que eles consigam realizar, junto com a comunidade, o trabalho social que anseiam”, afirmou o secretário.

Mais informações sobre o 1º Bazar Folia podem ser adquiridas pelos números 99226-9963 (Aurinete) ou 99441-6026 (Jander), esposo da Aurinete e um dos coordenadores do Instituto Mãos que Criam Artes.

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